
Ao ler o comentário do escritor Sérgio Sant’anna sobre a morte de Millôr Fernandes, senti como se ele tivesse colocado em palavras o que pensei ao saber da notícia: “As pessoas têm que morrer, mas Millôr Fernandes deveria viver pelo menos uns 200 anos”.
Não sabia, mas, além de humorista, cartunista, tradutor, dramaturgo e tantas coisas mais, Millôr também trabalhou na televisão. Primeiro, em 1959, fazendo comentários enquanto desenhava no programa “Universidade do Méier”, na TV Itacolomi, de Belo Horizonte. Depois, em 1965, como apresentador, na TV Record, do “Jornal de Vanguarda”.
Postei aqui com as quatro partes do documentário “O Pasquim: A Revolução pelo Cartum”, um bate-papo com os criadores do icônico semanário, produzido pela TV Senac e dirigido por Louis Chilson, em 1999.
Mas, antes, compartilho o delicioso resumo de sua vida, escrita pelo próprio jornalista quando começou a trabalhar no jornal “O Dia”.
“Millôr Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância. Só aos 13 anos de idade, partindo de onde estava. E também mais tarde, já homem formado. No jornalismo e nas artes gráficas, especialmente. Sempre, porém, recusou-se, ou como se diz por aí. Contudo, no campo teatral, tanto então quanto agora. Sem a menor sombra de dúvida. Em todos seus livros publicados vê-se a mesma tendência. Nunca, porém diante de reprimidos. De 78 a 89, janeiro a fevereiro. De frente ou de perfil, como percebeu assim que terminou seu curso secundário. Quando o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar, o que não significa absolutamente nada. Um dia, depois de um longo programa de televisão, foi exatamente o contrário. Amigos e mesmo pessoas remotamente interessadas - sem temor nenhum. Onde e como, mas talvez, talvez — Millôr, porém, nunca. Isso para não falar em termos públicos. Mas, ao ser premiado, disse logo bem alto - e realmente não falou em vão. Entre todos os tradutores brasileiros. Como ninguém ignora. De resto, sempre, até o Dia a Dia”.